Os perigos das dietas da moda

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Os perigos das dietas da moda

No mundo das celebridades, as dietas seguem a mesma lógica das coleções de roupas: a cada estação tudo muda. Já estiveram na moda dietas nas quais se come apenas proteína, somente sopa, e, argh!, até um regime baseado no consumo de chás e sucos de limão e pimenta, mais conhecida como “detox”. A dieta do momento é o jejum intermitente – intermittent fasting, em inglês.  Ela prega uma redução extrema na quantidade de calorias ingeridas por um determinado período, que pode variar bastante. Alguns adeptos pulam uma refeição por dia, outros comem muito pouco durante um ou dois dias por semana e há quem leve a abordagem ao limite e afirme que chega a jejuar por até dez dias seguidos — uma insensatez sem tamanho, é bom frisar.

Gurus — Como qualquer dieta abraçada por estrelas de Hollywood, há “gurus” e livros por trás da abordagem que supostamente validam a sua eficácia. Michael Mosley, médico, celebridade da televisão britânica e autor do livro The Fast Diet (“A dieta do jejum”, sem edição em português), lançado neste ano, recomenda a seus pacientes que, duas vezes por semana, consumam um quarto das calorias que ingerem em um dia normal e que, no restante dos dias, comam normalmente. Ele afirma que suas dicas são baseadas em evidências cientificas e que viu os resultados em si mesmo após seguir a sua própria dieta.

 

“Comecei a olhar para a restrição calórica e vi que as pesquisas sobre isso são realmente boas. É praticamente a única coisa que prolonga a vida. Mas eu nunca poderia me imaginar sem comer as coisas que eu amo. Então eu comecei a investigar o jejum intermitente como uma forma de controlar as calorias”, disse Mosley em entrevista ao site The Huffington Post.  O médico diz ter conseguido perder peso e melhorado seus níveis de colesterol e resistência à insulina. Ao mesmo tempo, sua conta bancária, ironicamente, engordou bastante.

Restrição não é jejum — Não existem, hoje, mutos estudos sobre os efeitos específicos do jejum intermitente. “Ainda não há evidências cientificas sólidas o suficiente para dizer que essa intervenção é recomendada”, disse ao site de VEJA o cardiologista Bruno Caramelli, diretor da Unidade de Medicina Interdisciplinar do Incor e um dos autores de uma pesquisa que está sendo feita sobre a abordagem.

O que há é um grande número de pesquisas científicas indicando que comer pouco, mas dentro do limite do que é saudável, pode ser a chave para uma vida mais saudável e uma maior longevidade. E, para aquelas pessoas que têm dificuldade em seguir uma dieta regrada diariamente, escolher dois dias na semana para comer menos do que o normal pode ser uma alternativa. A principal preocupação em relação ao intermittent fasting é que ele induza um comportamento de risco. De fato, já há pessoas que fazem jejum total por vários dias seguidos – e sentem que o livro de Mosley lhes fornece a justicativa para isso.

Ao site de VEJA, Cintia Cercato, endocrinologista da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP) e do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas da USP, disse o óbvio: se alimentar é importante. “Ficar muito tempo sem comer não traz nenhum benefício. É um absurdo que uma pessoa fique dias sem comer nada, pois a ausência completa de qualquer nutriente prejudica o organismo”, afirma a médica. “E mesmo que ela tome suplementos vitamínicos durante o jejum, eles não são capazes de repor macronutrientes, como os carboidratos e a glicose. Sem esses nutrientes, ficamos sem energia, fracos, e o nosso cérebro deixa de receber glicose, o que prejudica a memória. Além disso, ainda que esse indivíduo apenas beba água, ele continua correndo risco de desidratação.

 

Fonte: Revista Veja

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